quinta-feira, 17 de agosto de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA – PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO - VI














O CASAMENTO É NATURALMENTE UM 

ACTO SAGRADO.




Uma vez mais, o Padre Correia da Cunha nos chama a atenção, neste Curso de Preparação para o Matrimónio, para a grande diferença que existe entre os homens e os animais. Somos criaturas de Deus, fomos criados por Ele (criados à sua semelhança).

Quando um homem e uma mulher se apaixonam, um novo mundo, se abre diante deles, um mundo que ambos desejam compartilhar. Se essa paixão se vier a transformar num verdadeiro amor, abrir-se-á uma vida nova que o sacramento do matrimónio abençoará. 

Esta força de atracção entre pessoas é inata como é o impulso sexual do ser humano. É a essência do Amor. Precisa de espaço para se ampliar e se projectar pelos sentimentos, pelos valores e pela graça de Deus.


O casamento é naturalmente um acto sagrado, escolhido livremente por homem e mulher, que se querem comprometer na promessa do SIM (perante a Igreja, enquanto comunidade, para toda a vida). Há necessidade que seja assegurada a permanência desse compromisso assumido perante o altar, pelo supremo interesse daqueles que virão culminar a coroa do matrimónio: os filhos. 










TEXTO AUTORIA PADRE CORREIA DA CUNHA


Sem virtude de quanto ficou dito nos anteriores capítulos, o casamento, mesmo sob o ponto de vista natural, não pode ser um acto transitório provocado pela atracção sexual entre um homem e uma mulher. Exige necessariamente uma duração, uma permanência. Por mais bárbaro e selvagem que seja o estado de uma sociedade humana sempre esta permanência foi defendida e mantida. Mas passemos a resumir as razões fundamentais desta permanência que traduz uma coabitação:


1º - O homem não é um simples animal e portanto não pode proceder como se o fosse, especialmente na união de onde resulta a continuidade da espécie humana e a vida de alguém que é o prolongamento da própria vida dos pais.


2º - O filho tem de ser formado, pois não pode por si só vencer as dificuldades da vida, especialmente durante a meninice, e precisa do apoio tanto do pai como da mãe.


3º - Os próprios pais ligados pelo amor conjugal precisam um do outro para se complementarem não só sob o ponto de vista fisiológico mas também sob o ponto de vista moral e espiritual. Só juntos poderão caminhar na vida com alegria e com esperança.


4º - A sociedade, para se poder manter, desenvolver e progredir exige, e tem o direito e o dever de exigir a permanência da união conjugal. É que, se uma união se puder dissolver, não haverá mais educação e formação dos cidadãos e chegar-se-ia até ao ponto de ver secar fontes da vida, pois por comodismo egoísta os pais evitariam os filhos.




E aqui temos, um resumo, como o casamento é, mesmo no seu aspecto meramente natural, uma união permanente e legal do homem e da mulher com comunhão de vida e interesses, em ordem à procriação, ao complemento dos cônjuges e ao seu mútuo auxílio.


Isto é assim, insiste-se, mesmo no plano natural. Como, porém, o homem é um ser religioso e a família por ele constituída tem uma finalidade religiosa, pois o homem tem orientar toda a sua vida para além do tempo e dos interesses materiais (precisamente porque é também uma alma imortal), por estas razões sempre e em todas as civilizações o casamento foi e é um acto religioso.


A religião sempre tem chamado a si a defesa e a orientação dos superiores interesses da família. Vemos através da História que a sociedade humana em qualquer grau de civilização, mesmo no paganismo, reconheceu esse direito e esse dever à religião. Para todas as religiões, até para os feiticistas, sabaístas, etc…


O casamento foi e é um acto sagrado que não pode realizar-se sem a intervenção de Ser Divino que preside aos destinos dos homens e das sociedades.
























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terça-feira, 1 de agosto de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA – PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO - V















«…é dos actos mais importantes da vida 

humana!»



Fiquei fascinado ao ler este capítulo do Curso de Preparação para o Matrimónio da autoria do Padre Correia da Cunha, sobre a religiosidade e ritos do matrimónio.

São solenidades que me lembram poemas de amor transformados em festa. Há um desejo ardente nos noivos de que estes eventos sejam eternos nas suas vidas (para sempre, até que a morte os separe).

Não é o amor que faz o casamento. São as promessas pronunciadas no ritual do matrimónio que amarram o futuro, na partilha dos bons e maus momentos. O futuro há-de ser da forma como o idealizarmos e o desenharmos naquela entrega livre de corpos e almas num momento transcendental.

E no final de contas são de actos de amor consumados que se gera o mais sagrado do matrimónio: os filhos. Naquele instante de sobriedade prometemos proteger, cuidar… e só de pronunciarmos os seus nomes somos invadidos de uma esplendorosa felicidade!






O nascimento de um filho é uma experiência rara e única que faz brotar do fundo da alma aquele grito bravo de exaltação: O amor tem o poder mágico de fazer coisas maravilhosas.

O que Deus uniu não se pode separar e a solene promessa dos deveres assumidos só pode ser de pessoas adultas e esclarecidas, declaradas na presença de dignos representantes das comunidades em que nos integramos.

Não são necessários altares ou lugares de culto luxuriante, pois a maior das testemunhas é Deus, ali presente, e Deus é a fonte de todo o Amor.

Os principais intervenientes neste acto reflectem toda a beleza, harmonia, encantamento e magia. É o momento mais adequado para invocar que Deus faça companhia ao longo da nova e longa caminhada.


É a entrega plena de corpos e almas num sonho de amor e num orgasmo de alegria e felicidade que todos os deuses aprovam com um radioso sorriso.





CAPITULO V


O casamento, mesmo sob o ponto de vista natural, é uma instituição religiosa. Quer dizer isto, que para o homem e para a mulher que se unem para constituir família sempre essa união tem de ter um carácter religioso, mesmo que não sejam católicos. E porquê?


- Porque o ser humano é por sua natureza religioso. A consciência da imortalidade é própria do homem. É esta consciência que o faz lutar contra a morte e acreditar numa outra vida. Todo o homem tem dentro de si uma voz que lhe diz: Tu não vives só para ficares reduzido ao nada. O que são os monumentos, como as pirâmides e todos os outros, senão uma afirmação desta crença?








Os antigos germanos acreditavam no Wahal espécie de lugar onde eram recebidos os heróis depois da morte. Os gregos tinham no Olímpio e no Eden a sua esperança, os brâmanes ainda aguardam o Nirvana,etc..


Esta consciência da imortalidade está ligada à existência de Um Ser Superior – Divindade – que acompanhando a vida humana castiga ou premeia depois conforme os méritos.

O casamento, instituição em que o homem se completa, e realiza a sua maior obra que é a formação do filho, é dos actos mais importantes da vida humana. Por isso o homem lhe reconheceu sempre o caracter religioso.

2º - A história ensina que em todos os povos, por mais baixo que fosse o seu grau de civilização, a instituição da família, pelo casamento, assentava nas bênçãos divinas sem as quais os homens não podiam agradar à Divindade nem assumir os pesados encargos de colaboradores na obra da Criação dando ao mundo e a Deus novos homens.

Mesmo sem folhear a Bíblia, onde a cada passo se encontra a presença do representante de Deus a ligar os cônjuges em matrimónio, nos povos primitivos do oriente, segundo o rito dos gigantes que levavam as filhas à força (Râkshana), a uma celebração do casamento era procedida de um sacrifício aos deuses. Seria interessante até ver como na India se realizavam os casamentos. Para os Bramanes é como uma espécie de sacramento.

Na China, os noivos iam, por caminhos diferentes, a monte sagrado onde, na presença de um Bonzo (espécie de sacerdote), dentro de um templo adornado de archotes, se faziam preces e sacrifícios ao deus Hiimeneu cuja estátua tinha a cabeça de um cão, para significar a fidelidade conjugal.

Mas para quê trazer mais exemplos. Basta abrir um compêndio de história, e ver-se-á que sempre e em toda a parte o casamento teve carácter religioso.

3º - E ainda hoje, mesmo para aqueles que se dizem ateus, o casamento é no fundo um acto religioso. Senão digam o que significa aquela festa que costumam fazer; aqueles trajes de cerimónia e vestidos de noiva, aquela forma de se apresentarem perante o oficial do registo civil como se fosse um sacerdote e sobretudo aquelas alianças que trazem nos dedos anelares?









É que todos estes usos e costumes mas principalmente as alianças são de origem religiosa.

4º Mas as principais razões por que o casamento é de caracter religioso são estas:

- Os trabalhos, dores, sacrifícios que os cônjuges têm de suportar para criarem e educarem os filhos para se complementarem, para se auxiliarem e ainda para permanecerem unidos durante a vida, exigem uma sanção religiosa que lhes dê força e lhes garanta uma recompensa eterna.

- A obra da Criação em que os esposos tomam parte é tão grandiosa e ultrapassa tanto as forças humanas que só com o auxílio da Divindade pode ser realizada.

Mesmo para os materialistas e ateus é sempre um mistério a geração do homem. Um filho que há-de vir é sempre uma interrogação. Primeiro o respeito da vida e da morte: nascerá vivo? Terá saúde?

Segundo, a respeito da sua psicologia: - será um tarado? Um criminoso? Um louco? Um herói? Um cobarde?

O que será esse filho? De que depende a sua vida futura?

E ainda: Os pais darão o seu concurso físico e amoroso para a formação de um corpo humano segundo as leis naturais, estabelecidas por quem? – Por um Deus é claro! 

- E podem os pais criar uma alma? Uma alma imortal e espiritual pode ser formada pelos esposos? Não depende, em última análise da vontade criadora de Deus?



Por todas estas razões, indicadas resumidamente e com a preocupação de ser facilmente compreendidas, o casamento é mesmo sob o ponto de vista natural, um acto de carácter religioso.








Escreve um autor: Brahma, Moisés, Zorrastro, Fo, Confúcio, Budha , Orfeo, Numa, Tentates, Fócio, Lutero, Calvino, sem falar nos católicos , todos os legisladores e reformadores reconheceram a necessidade de dar caracter sagrado à mais importante de todas as instituições naturais da qual depende a felicidade ou a desdita, a vida ou a morte do homem:



- o casamento.

Nós católicos temos uma doutrina que não vem de legisladores humanos, mas de Nosso Senhor Jesus Cristo.
















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segunda-feira, 10 de julho de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA – PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO - IV
















‘’SACRIFÍCIO DE AMOR E DE ALEGRIA 

EM CRISTO.”




Continuamos a transcrever o Curso de Preparação para o Matrimónio da autoria do Padre Correia da Cunha. Creio que o escreveu com o máximo gosto e o mais vivo interesse. Confesso que pela leitura destas amarelecidos folhas os casamentos canónicos naquela época eram casamentos idealizados, de perfeição e de uma relação maravilhosa.

A passagem do namoro ao casamento consistia na formação de um compromisso de projectos, selados nas alianças de criar e educar os filhos.
O mandamento do matrimónio católico exige a união até que a morte separe os casais, por isso a Igreja Católica não prescinde da cooperação e da colaboração daqueles que o adoptam.

No casamento católico exige-se que os noivos prometam ‘’receber com alegria os filhos que Deus lhes enviar educando-os no Amor a Deus’’.

Homem e mulher através do Sacramento do Matrimónio são a única e verdadeira imagem de Deus. Unidos pelo sacramento, o homem e a mulher formarão uma só carne o que implica viver em comunhão total um com o outro. A separação será sempre o fracasso do Amor, não está prevista no projecto de Deus, pois Este não concebe um amor que não seja total e duradouro. Só o amor eterno, expresso num compromisso indissolúvel, respeita o projecto primordial de Deus para o homem e para a mulher.







Pelo Santo Sacramento do Matrimónio realiza-se a união natural de um homem com uma mulher, mas a união sobrenatural, isto é, divina de um cristão com uma cristã. Estas simples palavras têm um significado muito mais profundo que, à primeira vista parece.


A união conjugal de um cristão com uma cristã tem o valor de uma comunhão robusta em que não só dois corpos se unem, mas duas almas se fundem numa só alma e num só coração, e Deus, que é uno – UM SÓ -, liga-os no seu eterno e infinito amor. Na verdade, o amor humano, a simpatia mútua, baseada em motivos naturais, como a beleza, a juventude e frescura e outras qualidades mesmo de ordem moral, esse amor humano, natural, base do casamento passa a ser, em virtude do Sacramento do Matrimónio, um amor sobrenatural, divino. Os esposos cristãos, que sabem o que é o casamento, amam-se não por motivos humanos, mas por razões divinas; amam-se em Deus e amam Deus em cada um deles. Por isso mesmo, São Paulo chama ao matrimónio o grande Sacramento, e diz que o marido se deve entregar ao amor da sua esposa como Cristo se entregou pela Cristandade a ponto de se deixar sacrificar na Cruz; e que a esposa deve amar o marido como a Igreja ama a Cristo. E continuando na explicação destas ideias, o grande apóstolo, ensina que o marido e a mulher formam um só corpo cuja cabeça é o marido, devendo a mulher, portanto, obedecer-lhe e servi-lo, e devendo o marido guiá-la, encaminha-la e viver para ela, a mulher. Pois assim como a Igreja e Cristo formam um só Corpo Místico, assim também os esposos formam um só corpo em Cristo.






Para os cristãos, o casamento não é, por mais que assim pareça, uma simples obra do acaso ou resultado de interesses humanos. O casamento para nós é o encontro e uma união de dois seres, filhos de Deus e esse encontro foi preparado e querido por Deus desde toda a eternidade. Deus não muda; para Deus não há tempo com ontem e amanhã: O que Deus é hoje, o que Deus sabe e quer e vê hoje, via, queria e sabia ontem; verá, quererá e saberá amanhã. Para Deus tudo é presente.

E Deus soube e sabe desde sempre que determinado filho seu (que só dali a milhões de anos havia de nascer) encontrará determinada rapariga também filha de Deus.
E o amor que entre os dois surgirá é como semente por Deus lançada aqueles corações, que de resto, já fizera um para o outro.  É bem verdadeiro o ditado popular que diz: «Casamento e mortalha no céu se talha».

O amor para os cristãos é, pois, qualquer coisa de infinitamente maior que a mera simpatia fundada, em motivos terrenos e transitórios…É qualquer coisa de eterno, infinito, e portanto permanente, que não pode estar sujeito a caprichos irreflectidos. É que esta qualidade divina do amor cristão é colocada, por assim dizer, nas mãos livres dos seus filhos que não são autómatos inconscientes, mas homens livres. É como perfume precioso e delicadíssimo lançado em frascos muito frágeis.








E nada do que é divino se desenvolve no homem sem sacrifício. A semente divina do amor exige sacrifício. Exige que os homens se entreguem ao seu cultivo com toda a alma e também com a graça do céu, é claro, porque sozinho nada os homens poderão fazer.
Precisamente porque é divino, o amor cristão, exige que os esposos o tratem divinamente, isto é, o tratem não com intenções ou interesses humanos mas com cuidados cristãos. E para isso têm os esposos de se envolverem em sacrifício.

Podemos dizer que o Matrimónio, assim como é sacramento é também um autentico sacrifício. Mas não esqueçamos: Sacrifício de amor e de alegria em Cristo.



















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sábado, 10 de junho de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA E «OS LUSÍADAS»
















“OS LUSÍADAS SÃO A GLÓRIA DE 
PORTUGAL.”






Transcrevo hoje, um manuscrito do Padre Correia da Cunha sobre o QUARTO CENTENÁRIO DE «OS LUSÍADAS», no dia em que celebramos o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.


Este documento está datado de Junho de 1972, ano que celebraram, como oficialmente foi determinado, o IV CENTENÁRIO DA PUBLICAÇÃO DE «OS LUSÍADAS» considerados pelo Padre Correia da Cunha a «Bíblia da Pátria».





Padre Correia da Cunha



Parafraseando Jorge de Sena, Camões é único, foi um poeta visionário que arrastou o colectivo até onde havia levado já o individual. A vivência intima do poeta, uma experiência que lhe provocara análogas descobertas do sentido da vida, fê-lo sofrer a angustia por o seu mundo não cursar trilhos luminosos do Fado que ele havia visionado.

Artigo do Padre Correia da Cunha



Por mais estranho que pareça, uma das poucas datas conhecidas da vida e obra de Luís Vaz de Camões é a do ano de 1572, impressa no frontespício da primeira edição do seu imortal poema.






Faz, portanto, agora quatrocentos anos que, na casa de António Gonçalves, impressor, foi dada a lume essa genial obra prima da nossa literatura e (sem favor) da literatura universal, pois pode pôr-se ao lado (senão acima) de todas as outras epopeias.

Feita embora em moldes clássicos, como era próprio e natural naquela época de franco renascimento, «OS LUSÍADAS», nada ficam a dever às grandes obras das literaturas estrangeiras de todos os tempos tais como a Divina Comédia de Dante, o Paraíso Perdido de John Milton, Jerusalém Libertada de Tasso, Henriade de Voltaire e até a Odisseia de Homero…

Cantando a epopeia de um povo, a propósito do desconhecimento do caminho marítimo para a India, «OS LUSÍADAS» são bem a Bíblia da Pátria Portuguesa.

Não é aqui lugar para discorrer sobre o alto valor, a esplendida beleza e o nobre sentido desse grande livro. Outros com mais competência e tempo o fazem, sobretudo durante este ano, tecendo os mais rasgados elogios ao poeta e analisando o poema nos seus mais diversos aspectos.

Não queremos, porém, deixar de chamar a atenção de todos os nossos leitores para o evento cujo quarto centenário se comemora e celebra, convidando-os a reler (sem obrigatoriedade escolar), mas atenta e devotamente o Livro em que se retrata, define e vive a Alma da Nação.

Olhem que vale a pena!

Façam-no, pois, com devoção ainda que tenham de fazer um esforço para entender subtilezas poéticas, decifrar arcaísmos ou desvendar mitologias.

A voz de Portugal, a voz da Lusitanidade falará dentro de nós, no mais íntimo do nosso ser, oferecendo-nos uma beleza de encantamento e uma força de heróis.

Reler ou ler assim os Lusíadas será a maior homenagem que podemos prestar ao imortal poeta Luís Vaz de Camões, neste quatro centenário dos seus e nossos «LUSÍADAS».

















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quinta-feira, 1 de junho de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA – PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO - III














«OS SERES HUMANOS PRECISAM,

 ACIMA DE TUDO DE RELACIONAMENTO

 AMOROSO, ESTÁVEL E HARMONIOSO.»





Continuo a transcrever o Curso de Preparação para o Matrimónio da autoria do Padre Correia da Cunha.

Neste texto é evidenciado que Deus nos fez como homem e mulher, diferentes mas complementares.

Quero hoje recordar as centenas de jovens noivos que participaram e assistiram a este grandioso projecto da Paróquia de São Vicente de Fora, liderado pelo Padre Correia da Cunha, que visava transmitir aspectos práticos da nova vida que queriam abraçar.

O Padre Correia da Cunha não debitava só ideias, conhecia bem estes aspectos conjugais e terminava sempre com um questionário escrito que ajudava muito os noivos na descoberta dos caminhos e dos sólidos princípios cristãos. Era importante que tomassem consciência que somos tão especiais aos olhos de Deus. Pelos testemunhos ouvidos por muitos dos participantes nestas sessões, trago à memória o referirem que eram momentos de muita alegria e paixão.

Pelo sacramento do matrimónio passávamos a viver a três – Homem, Mulher e Deus abraçados e inundados pelo Seu amor.


O casamento não é a grade de uma prisão mas uma vida de verdadeira liberdade: somos interdependentes – o homem precisa da mulher e a mulher precisa do homem para se complementarem e enriquecerem livremente em união.

Deus criou-nos como homens e mulheres, diferentes e complementares, para não nos esquecermos de que somos seres criados, dependentes dele e dos outros.






O CASAMENTO

É sobre o casamento que assenta toda a vida familiar e social. Quase todos os homens procuram, por uma tendência natural, constituir família.

Portanto, há necessidade de se conhecer bem o que é o casamento e quais são as bases e condições para que do casamento saia uma família feliz que se deseja.
Já ficou dito que o casamento é a união legal e permanente entre o homem e a mulher em ordem a três fins:

a      1  – Procriação, isto é, geração de filhos e sua formação;
                2     – Complemento dos cônjuges
c                3      - Auxilio mútuo.

É da própria constituição ou maneira de ser do corpo de cada pessoa a diferenciação dos sexos. Nasce-se homem ou mulher sem para nada se ser consultado. Cada pessoa é o que é porque assim nasceu. Esta diferenciação de sexos, provoca a sua atracção mútua e, portanto, a união. Verifica-se esta união entre todos os seres animais. Na espécie humana também. No entanto, o homem não é um simples animal, embora às vezes se porte como uma bestinha.


É um espírito também. E assim corpo e espírito, todo inteiro são atraídos pelo sexo diferente porque também espiritualmente há uma espécie de diversidade sexual. A mulher nos seus sentimentos, na sua maneira de ser, no seu feitio etc… é muito diferente do homem. Tudo isto ligado ao prazer que há, mesmo fisicamente, nesta união provoca o amor. Desta união amorosa por uma determinação superior do supremo legislador da natureza e criador de tudo, nascem os filhos, continuadores da humanidade sobre a Terra. No entanto, ao contrário do que acontece com todos os animais, a cria do casal humano, isto é, o filho, não nasce feito. Tem de fazer-se, formando-se pela educação que compete aos pais.






De onde se conclui que o casamento não pode ser um acto sexual, simples, transitório, pois o filho leva anos a formar e precisa tanto do pai como da mãe para que a sua formação seja completa e perfeita, na medida do possível.

Os cônjuges (marido e mulher) mesmo fisicamente são incompletos. Se na ordem moral e espiritual o homem tem umas qualidades e a mulher, outras, na ordem física das formas do corpo também cada um deles é incompleto e só juntos são completos. No casamento realiza-se essa plenitude espiritual e corporal que faz do casal humano a fonte da vida e a base de toda a sociedade. Mas não poderá haver plenitude onde impera o receio e o medo de se ser abandonado. Isto é, se a mulher, por exemplo, por ser a mais fraca e sofrer os trabalhos da maternidade, recear ser desprezada depois da união sexual, como é que pode dar-se inteiramente, corpo e alma, ao homem que ama? Como pode atingir a plenitude do amor e até do gozo ou prazer?


Quanto ao auxílio mútuo, pode dizer-se o mesmo. O homem precisa da mulher e esta precisa do homem.
Um tem habilidade para umas coisas o outro tem habilidade para outras.

Precisamente por tudo isto é que a Natureza os fez diferentes. Auxiliam-se portanto. Este auxilio também não pode, ser total nem generoso se a união não for permanente, é claro!







Questionário:

- Estás de acordo com o que foi dito? Porquê?
- O casamento será primeiro que tudo para ter filhos ou para um homem e uma mulher se sentirem felizes pela união amorosa e pelo auxílio que se dão um ao outro?
- Que te parece?
- Na verdade, há casais sem filhos.
  Isto não será uma resposta à questão?
- A respeito da união sexual e da união espiritual, qual delas te parece a mais importante?
- Lembra-te disto: O cristão pode e deve tratar de todos os casamentos, porque tudo o que existe foi criado por Deus e tudo o que Deus fez é bom.

Poe os olhos em Deus e estuda e responde a estas perguntas com toda a sinceridade. Isto interessa-te!!!




















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segunda-feira, 22 de maio de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA – PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO - II















«… UM DO OUTRO E OS DOIS DE DEUS.»



O texto que hoje publico, extraído do Curso de Preparação para o Matrimónio, da autoria do Padre Correia da Cunha, foca determinados aspectos para ajudarem a construir um ‘santuário’ seguro onde reine a graça de Deus e a felicidade.

O casamento deve assentar em alicerces sólidos, pois essa união torna os noivos em uma nova família, geradora de vida e construtora de um lar de irradiante Amor.







Não basta confiar num coração (?) como refere a canção «Amar pelos dois» interpretada pelo Salvador Sobral com música de sua irmã Luísa Sobral. Canção que enche de orgulho os corações dos portugueses e que obteve uma excelente vitória no Festival da Canção da Eurovisão de 2017: «Eu sei que não se pode amar sozinho» e tão pouco «o meu coração pode amar pelos dois». 







Quero também aqui deixar sublinhadas as palavras simples e acessíveis a todos, que nos transmitiu o Papa Francisco, na sua mensagem de esperança e amor na recente peregrinação que efectuou ao Santuário de Fátima: «A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida…Pois Ele criou-nos com uma esperança para os outros, uma esperança realizável segundo o estado de vida de cada um».
Se nos mantivermos agarrados à âncora que recebemos através do sacramento do matrimónio, conseguiremos ultrapassar todas as contrariedades e sofrimentos que possamos vir a enfrentar durante essa nova caminhada a três.

Como diz o Papa Francisco: Temos a convicção que Deus caminha connosco, caminha ao nosso lado e segura a nossa mão.





Continuação

DOUTRINA CATÓLICA DO MATRIMÓNIO


Vimos que sob o ponto de vista meramente natural o casamento ou matrimónio é já de uma grandeza e dignidade superiores aos interesses mesquinhos dos indivíduos, isto é, o casamento instituição base da família e da sociedade, vale mais do que qualquer homem ou mulher, pois estes têm de se submeter às suas leis para poderem realizar a sua missão de continuadores da espécie e de mantenedores da sociedade.
Mesmo sem falar da doutrina de Cristo, o casamento tem de ser sempre de um homem com uma mulher uma união legal de carácter permanente e religioso. Tem, portanto, uma alta dignidade.

Mas o que pensa a Religião Católica a tal respeito?


- Para os católicos o matrimónio é um sacramento, um sinal eficaz da graça de Deus, que se pode definir nos seguintes termos: - Matrimónio é o sacramento que foi instituído por Cristo e que confere aos cônjuges a graça especial para que eles realizem santamente os seus fins. 





Analisemos esta definição, explicando-a um pouco.

Os sacramentos são sinais eficazes da graça, isto é, mostram e dão de um modo visível a graça de Deus aos homens que os recebem.
Exemplo: o Baptismo, lavando simbolicamente a cabeça, mostra que é lavada a alma e dá, na verdade, a graça de uma limpeza espiritual, de modo que o neófito fica, de facto, livre da mancha do pecado original e de qualquer outro pecado se o tiver.

No matrimónio o contacto inicial em que publicamente e perante o ministro de Deus os noivos concordam em ser um do outro e os dois de Deus, é também um sinal de união, mas um sinal em que Deus omnipotente se mete por uma graça especial a mais aqueles dois seres para toda a vida, de tal modo que já não serão dois mas uma só carne, segundo a expressão realista da Escritura, isto é: não são duas pessoas com interesses individuais, mas uma só pessoa moral com interesses comuns tanto na ordem material como na ordem espiritual. Isto significa que os dois se unem e completam pelo sacramento do matrimónio de tal maneira que para corresponderem à santidade da graça que lhes é dada, têm de viver de olhos postos nos mesmos fins, corações unidos no mesmo amor, almas abraçadas na mesma vida espiritual tanto no que diz respeito a esta vida espiritual tanto no que diz respeito a esta vida (criação e educação dos filhos, trabalhos, penas e alegrias) como no que interessa a salvação eterna (vida de piedade com todas as manifestações do culto e vida espiritual com todas as exigências de formação cristã e santificação mútua). O Homem, por outras palavras, não pode desinteressar-se da vida espiritual e da salvação da sua mulher, e vice-versa.






-Pode dizer-se que no sacramento do matrimónio entram três entidades: O homem, a mulher e Deus. Deus é o traço de união dos dois. Onde não está Deus a mais, a união não pode ser eficaz nem profunda nem eterna como é exigido pelo amor verdadeiro. Mas além desta graça de santificação pelo amor, graças de união total que Deus dá para que os dois sejam em tudo um só, há no sacramento do matrimónio outras graças especiais dadas por Deus, para que os dois realizem todos os fins do matrimónio: Fortaleza para enfrentarem as dificuldades da vida, para criarem os filhos, para se auxiliarem, compreenderem, amarem e viverem na união santa do casamento; Iluminação com dons especiais para guiarem e formarem os filhos e se entenderem santamente; Piedade para viverem a vida de família num ambiente espiritual de santidade etc. etc.

Como vemos só por esta simples amostra, o casamento cristão faz passar uma instituição meramente natural para um plano sobrenatural e divino. Pelo sacramento do matrimónio, a simples união de um homem e de uma mulher passa a ser união de um homem e de uma mulher, sim, mas feita pelo próprio Deus.

Esta intervenção divina coloca logo o casamento num plano não humano mas divino. O homem e a mulher ligados pelo sacramento formam um santuário onde Deus do Amor; não são só duas pessoas que se abraçam hoje e que, amanhã podem deixar de se abraçar. São duas pessoas que Deus une, liga e funde: - união que faz dos dois um; liga que os funde um no outro; fusão que os fecunda sobrenaturalmente.

















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