quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

2017 - ANO CENTENÁRIO NASCIMENTO PADRE CORREIA DA CUNHA











Hoje, já quase no final de 2017, vimos trazer-lhe, as nossas despedidas… muito brevemente serás expulso, mas continuarás a ser recordado nos nossos pensamentos, pelas grandes homenagens prestadas ao Padre Correia da Cunha, nos dias 2 de Abril e 24 de Setembro, em que assinalamos o 40º aniversário da sua morte (1977) e o centenário do seu nascimento na freguesia de Arroios no ano de 1917.







A escultura da autoria do José Carlos Coelho colocada junto à entrada do salão paroquial, discreta, disfarçada só visível pela claridade penetrada através do portão de ferro é uma coluna, simbolizando a força da sua heróica sensibilidade, o incansável pregador de princípios, que ainda hoje são pilares dos que lhes seguem os seus traços. O Corvo Vicente é o símbolo da sabedoria espargindo sobre a ignorância...


Estou convicto que esta peça escultórica será testemunha das muitas sinceras emoções que ainda agitam os nossos corações, na sublimação moral e espiritual pela herança que do mestre de vida recebemos.








O Padre Correia da Cunha, chefe dos capelães da Armada Portuguesa, como referi nasceu no dia 24 de Setembro de 1917 na freguesia de Arroios. Entre outras funções que exerceu destacam-se a de fâmulo do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel II Gonçalves Cerejeira de cerimoniário adjunto da Sé Patriarcal e Capelão da Marinha de Guerra. No exercício desta última missão desenvolveu acção notável. Foi fundador da Associação dos Marinheiros Católicos Portugueses e tomou parte em várias viagens de instrução de cadetes e marinheiros a bordo do Navio Escola «SAGRES». Foi igualmente um tradutor erudito e competente de várias obras de carácter religioso. O capelão Correia da Cunha também tomou parte nas Conferências Internacionais de Capelães Navais da NATO.


Na Radio Renascença fez palestras no programa «Voz do Sino» e desenvolveu grande actividade literária.





Foi prior durante cinco anos da Basílica dos Mártires, onde 
desenvolveu extraordinária actividade, quer na participação activa dos fiéis na liturgia quer na restauração e reintegração artística do majestoso templo na sua traça primitiva.

A convite do Professor Mueller da cadeira de órgão do Conservatório Nacional e anuência de director do mesmo, foi professor de liturgia dos alunos dessa cadeira, durante cinco anos; e no Instituto de S. Pedro de Alcântara, realizou conferências semanais.


Também como escritor e poeta se distinguiu. Foi director do semanário «Voz da Verdade» de 1939/40.

Eis algumas das suas obras: Pascha Nostrum, tradução da liturgia pascal, penetrada de unção e poesia; liturgia da Vigília Pascal e tradução «O Dilúvio de Saint Sens» para a Sociedade Coral de Lisboa, tendo certo crítico afirmado: ‘ser tão boa ou mais bela que o original’.


Para a mesma Sociedade traduziu vários poemas de Weinachflileder, de Mozart. E por ocasião das bodas episcopais do Senhor Cardeal Patriarca, e em homenagem a Sua Eminencia; escreveu um notável artigo na «Defesa Nacional» intitulado «Defensor Civilatis».





Fez ainda várias conferencias de muitíssimo interesse entre as quais uma sobre São Vicente – Padroeiro de Lisboa, na sede dos Amigos de Lisboa, a qual foi publicada em separata; a pedido da editora Suiça Benziger,  o Missal Romano ( edição destinada ao Brasil); para a mesma, traduziu ainda a «Imitação de Cristo» além de vários livros de piedade para crianças; escreveu vários cânticos religiosos de profunda interioridade, um Auto de Natal que com o patrocínio da Câmara Municipal de Lisboa, foi representado nas escadarias da Igreja de São Vicente de Fora.




Realizou várias viagens de estudo em diversos países da Europa e Estados Unidos, tendo em vista sobretudo os assuntos da Pastoral Litúrgica.





Foi nomeado para pároco de São Vicente de Fora, no ano de 1960 enchendo de justificado orgulho os seus paroquianos. Foi um digno sucessor do venerando Monsenhor Francisco Esteves, que durante mais de meio século, com zelo inexcedível paroquiou aquela freguesia.

No ano de 1961 foi nomeado capelão das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército e da Messe dos Oficiais de Santa Clara. No ano de 1972 pelos relevantes serviços prestados o Presidente da Republica condecorou-o  de comendador da Ordem de Cristo.

Na paróquia de São Vicente de Fora desenvolveu uma notáveis actividades  pastorais, que assentavam na educação cristã: uma catequese renovada para crianças,  escola para pais e cursos de preparação para o casamento. Uma actualizada caridade, activando-se as Conferencias de São Vicente de Paulo e uma Liturgia dinâmica com a participação de jovens acólitos nas celebrações, assim como a formação musical e coral para actualização do coro paroquial…

O Padre Correia da Cunha como referia, não vinha para dormir na forma, mas para labutar no que estivesse ao seu alcance, contribuindo para o restauro e conservação daquele imenso monstro adormecido (Mosteiro de São Vicente). Como era sabido o templo e o mosteiro encontravam-se votados a um abandono total. Era imperioso cuidar-se das coberturas com colocação de telhas novas e ao concerto de todas as janelas que apresentavam as vidraças quebradas. 

A água da chuva entrava a jorros e infiltrava-se na estrutura do edifício e por todos aqueles longos corredores, os tectos ameaçavam ruína iminente, tudo isto acontece após a deslocação do Liceu Nacional Gil Vicente para as suas novas instalações na cerca do Mosteiro.






Todo o interior do majestoso templo renascentista era de grande pobreza, necessitava de uma lufada de ar fresco na ornamentação: sobriedade, discrição, simplicidade e equilíbrio. Tudo o que está no templo e em redor dos altares devia ser vivo e não morto. Também era necessário proporcionar conforto aos participantes das celebrações de culto, com a colocação de novos bancos corridos, em substituição da meia dúzia de bancos grosseiros com cheiro a velho, uma instalação sonora, uma instalação eléctrica e uma iluminação condigna para tão riquíssimo património artístico.

As verbas no Ministério das Obras Publicas eram escassas. A sua obstinada actuação junto das autoridades constituídas, inclusive com entrevistas com o Presidente do Conselho, Prof. Oliveira Salazar, com o objectivo de conseguir que a Direcção dos Edifícios e Monumentos Nacionais garantisse a realização destes imperativos benefícios, por forma a salvaguardar este tão importante património nacional.

Não restam dúvidas que o Padre Correia da Cunha assumia com inquebrantável afinco na defesa deste tesouro que poderia perder-se irremediavelmente, sem as urgentes intervenções (coberturas e reparação das janelas).

Na sua presença nos mais diversos actos oficiais, aproveitava sempre, para falar sobre este magnífico monumento e trouxe muitos dos seus contactos pessoais a visitá-lo. 

A pouco e pouco, nos gavetões da preciosíssima sacristia surgiam novos paramentos, novas alfaias, amitos, alvas, cíngulos, toalhas corporais de linho, casulas, capas de asperges e restaurados todos os cálices, turíbulos, píxides de prata do séc. XVII e XVIII…  Expandiu a visita museológica a grande parte das salas dos claustros, com apresentação de peças de arte sacra da sua colecção, quando antes apenas havia acesso ao panteão real.

Para o Padre Correia da Cunha era necessária uma evangelização renovada assim como uma liturgia mais dinâmica. Uma maior participação dos leigos na vida da Igreja,fundando o Conselho Paroquial que se reunia semanalmente para planear as actividades pastorais e económicas. Assim surgiram imensos acólitos e meninos do coro com as suas túnicas brancas e cíngulos vermelhos em honra do mártir São Vicente. Gerou aulas de catequese com catequistas formados e também catequese para adultos. Fundador de vários Grupo de Jovens entre eles o OBJECTIVO em 31 de Outubro de 1971. Foram numerosos os paroquianos que se comprometeram na renovação das Conferencias de São Vicente de Paulo no intuito de servirem os irmãos mais necessitados pelo dom da caridade.

Muitos dias se gastaram a consertar e conservar o imenso arquivo fotográfico herdado do seu antecessor, notável amante da fotografia. Este espólio encontrava-se disperso e tresandar de bafio, era considerado pelo Padre Correia da Cunha de um valiosíssimo interesse histórico para a Paróquia e para a Igreja Diocesana.

Escrevo estas singelas palavras, em genuflexão à memória daquele a quem prestamos uma sentida homenagem na celebração do centenário do seu nascimento, sentindo-me um inculto ao tentar fazer aqui esta pequena biografia. Foi uma personalidade grandiosa e complexa que tanto orgulha a Armada, a Paróquia de São Vicente de Fora, os Amigos de Lisboa, as Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento e os Lions.

Em cada pedacinho de São Vicente de Fora e Alfama, em cada retalho das nossas palavras há um pensamento do Padre Correia da Cunha que continua a moldar as nossas ideias.

Ele era um génio naquela época e isso ainda é  hoje reconhecido pelos seus muitos amigos.





Celebramos com dignidade, o centenário do nascimento desse grande e inesquecível mestre de Vida, Correia da Cunha, padre - marinheiro- poeta, titulo da obra apresentada em 2015 da autoria de João Paulo Dias. Foi um homem predestinado a amar o próximo. 

Uma efeméride gloriosa que contou com a mais prestigiada figura da Armada Portuguesa o Senhor Almirante Silva Ribeiro, que quis com a sua presença prestar o tributo de honra e respeito da Marinha Portuguesa ao insigne capelão.

A cidade de LISBOA, que contou com a presença do Arq. Jorge Ramos de Carvalho em representação da Senhora Vereador da Cultura, Drª Catarina Vaz Pinto descerrou uma placa evocativa, delineada pela Arqtª Ana Silva Dias, simbolizando o grande amor do Padre Correia da Cunha à cidade do seu coração. 

Erudito profundo encarnou em si o génio da verdade e a verdade da justiça, pois sempre soube tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, era para ele desigualdade  flagrante e não igualdade real. Que grande espírito! Foi pois com justa admiração que o Reverendíssimo Sr. Bispo D. Joaquim Mendes e o Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional tomaram parte religiosamente nesta homenagem e se curvaram perante a sua obra, que se considera viva após 40 anos da sua morte. 
















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sábado, 23 de dezembro de 2017

NATAL 2017














“ NATAL É A FESTA DA RECONCILIAÇÃO DE DEUS COM A HUMANIDADE!” PCC




Nestas festas de tão íntima doçura, de tão funda alegria, a Comissão do Nascimento do Padre Correia da Cunha, deseja a todos os que participaram nas cerimónias do Centenário um Bom e Santo Natal cheio de felicidade profunda na luz do Menino.

Felicidade esta que é o fundamento de toda a nossa vida cristã, como o Anjo o anunciou aos pastores nessa noite de Natal. «Eis que vos anuncio uma grande alegria: Nasceu um Salvador».
A estrela brilhou para anunciar a Boa Nova a Lei do Amor a vencer o ódio, da Paz a vencer a guerra.

Para nós já não há lugar para tristezas, nem receios nem desesperos… Temos um Salvador, um Amigo, um Protector todo poderoso…

Por Ele tudo podemos e tudo nos será dado…

Alarguemos o coração ao infinito e meditemos nestes poemas da autoria do Padre Correia da Cunha que hoje aqui publico:

UM SONHO DOURADO

Deitado nas palhinhas docemente
Dorme Jesus. Nossa Senhora ao pé
Da manjedoura reza. E S. José
Contempla este quadro sorridente.

23.DEZ.1936

Criancinha, geme e chora
Nas palhinhas deitadinho,
E a Virgem Mãe o adora
Com todo o amor e carinho
E beija o pé pequenino
Do seu Deus feito menino.

A descansar um pouco da fadiga
Cansada por tão áspera jornada,
Junto do curral, ali, ao pé da estrada,
Ficou Maria, como quem mendiga.
José partira em busca de pousada
Por entre a sua parentela antiga
Triste voltou : - ó minha santa amiga.
Diz à Senhora, corri tudo nada!

E já bateste, além, aquela porta?
Bati!
E então?
-Outra resposta torta!...
Diz São José, com lágrimas na voz.
Chegava a hora de Ela dar à luz…
E ali, num curral, nasceu Jesus:
-Deus feito homem por amor de nós.

José Correia da Cunha – Natal 1941

Mistério profundo,
Milagre d’amor:
Fez-se luz do mundo
A luz do Senhor;

Verbo Divino
Fez-se nossa luz:
-Nasceu qual menino,
Chamou-se Jesus!

Deus, na voz dos homens,
Em seu timbre e cor,
Conjugou na terra
Seu verbo d’amor,

A todos ensina
A lição dos Céus,
A bela doutrina
Do amor de Deus

Esta luz Divina
D’eterno clarão
Incendeia o mundo
Luz na escuridão

E quem dá guarida
Ao Verbo da Luz
Em si tem a vida
Do próprio Jesus.

Natal de 1954


Natal 2017 . Aos pés do Menino Jesus vamos levar as nossas preces impregnadas de Amor para nos juntarmos aos anjos cantando: Glória a Deus no Céu e paz na terra aos homens de boa vontade!


















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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA - PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO X











A VIDA EM COMUM É UMA ENTREGA

 TOTAL!


O Padre Correia da Cunha possuía uma grande experiência com jovens e procurava mostra-lhes os bons princípios morais para um namoro e noivado que contribuíssem para a Glória de Deus e para a formação de um lar cristão solido e alegre. É no namoro que se começa a escrever uma história de amor que ambos querem edificar ao longo da vida e que crescerá naturalmente através do amor e das alianças que jurarão ante Deus a Comunidade Cristã.


O relacionamento no namoro deve exaltar uma caminhada que deve ser vivida, num compromisso sério pleno de responsabilidade. Lembrava o Padre Correia da Cunha que uma vida não pode ser vivida de improvisos. Antes pelo contrário deve ser planeada e só assim haverá um noivado suficientemente maduro e verdadeiro. Com a ajuda de ambas as famílias dos noivos, estes devem ser capazes de aprender um com o outro no respeito pela dignidade de cada um. Noivado é tempo de preparação e amadurecimento. Deve servir para se examinarem mutuamente de forma a enfrentar e ultrapassar os obstáculos e as dificuldades da vida conjugal; para depois não haver surpresas ou ser tarde de mais…


Na foto seguinte uma dedicatória da autoria do Padre Correia da Cunha. É um texto bem elaborado com letra bem legível, datada de 22 de Abril do ano de 1961 para um casal amigo que nesse dia contraíram o Sacramento do Matrimónio. Que desfrutem da felicidade tão sonhada recebida na bênção daquele dia.







Texto do Padre Correia da Cunha

A respeito da indissolubilidade do matrimónio ficou, pois, assente que, entre católicos, ela é uma das características fundamentais do casamento. Uma vez unidos pelos laços do matrimónio, os esposos jamais poderão separar-se para contrair outros laços matrimoniais. Homem e mulher ligam-se para construir uma família, não para fazerem experiências sexuais.

Vem a propósito expor uma dificuldade que se apresenta com frequência.

Dizem muito (e alguns até cristãos, mas mal formados) que pode acontecer o caso de os esposos algum tempo após o casamento verificarem a incompatibilidade da vida em comum. Isto é; pode dar-se o caso de um desentendimento grave, provocado pela oposição de feitios e até por falta grave quer da mulher quer do marido.

A isto responderemos que:

a)      O namoro e o noivado se não inventaram para passatempo inútil ou mesmo pecaminoso, mas para que os namorados preparem o seu futuro, procurando conhecer-se mutuamente, analisando-se os feitios, génios, caracteres e suas qualidades e defeitos. Não deve passar-se tão precioso tempo em cinemas, divertimentos ou coisas piores, mas num estudo sério das pessoas, suas tendências, preocupações e gostos. Durante esse tempo, devem estudar-se também os problemas económicos, morais e religioso da família, etc…

Se houver esta preocupação, é claro que depois o casamento não será uma caixinha de surpresas mais ou menos agradáveis… Antes que cases, olha o que fazes, diz a sabedoria do povo.



b)      Quando, porém, essa incompatibilidade surgisse, ou algum acto criminoso a provocasse, nem mesmo assim o divórcio seria admissível não só pelo que ficou dito em anteriores capítulos, mas também porque nunca se pode garantir que a segunda ou terceira experiência fosse mais feliz do que a primeira. Pois, na verdade, quando se casou, o Senhor Fulano não esperava senão felicidade e alegria. Apareceu-lhe a Cruz. Isto será motivo para experimentar outra? E quem garante que a segunda não é pior que a primeira?

       Onde é que isto ia parar!!!

Por outro lado, o divórcio, nos países em que existe contribui

a)      Para a inconsciência com que se procede à realização do grande acto do casamento. Na verdade, se os noivos estão convencidos de que se não se deram bem, podem cada qual ir para seu lado, para quê pensar a sério em vencer as dificuldades da vida matrimonial?
    b)      Para a ruína da família. Quando o divórcio é admitido pela lei, com facilidade, perante os espinhos da vida, se arranjam motivos de incompatibilidade e se desmancham os lares.

     c)       E, por consequência, para ruina da sociedade, visto que a família é a sua base.

Se não fosse massada grande para nós, seria interessante analisarmos estatísticas. Mas fiquemos por aqui, que já chega. As verdades devem ser aceites pela inteligência; os números só servem para confirmar o que aquela já aprovou.







De toda esta breve exposição sobre o casamento, à luz de uma sã filosofia natural e da doutrina católica, devemos tirar algumas consequências sérias e profundas.

Umas a respeito da preparação do casamento.

Outra acerca da vida matrimonial.

1º - O casamento prepara-se pelo namoro e pelo noivado.

Sem se saber bem porquê, certo dia nasce no coração de dois jovens, rapaz e rapariga, um sentimento indefinível de simpatia mútua. Procuram eles vir à fala, primeiro a pretexto das coisas mais indiferentes, depois tratando assuntos íntimos. É o namoro. Procuremos que desde logo a coisa seja a sério. Que os pais da rapariga, bem como os do rapaz , tenham conhecimento do que se passa. Averiguemos da posição social, da situação económica dum e d’outro. Esclareçam-se intenções.

Estudem-se todos os aspectos da questão. E faça-se tudo isto com delicadeza, amizade, fraqueza e com o conhecimento de quem os possa aconselhar, como sejam, os pais, os amigos íntimos e, em especial, o sacerdote confessor com quem se abre a alma.

2º Durante a vida de casados, não supor que a lua-de-mel é eterna. O entusiasmo da paixão pode passar depressa, contanto que fique o perfume do amor verdadeiro, pronto a sacrificar-se tanto mas grandes como nas pequeninas coisas.






A vida de piedade, a formação moral e espiritual. A comunhão de almas e de interesses, as confidências, numa palavra a vida em comum, á a garantia da felicidade.

E não se julgue que a vida em comum se pode fazer sem toda aquela comunhão de almas de que se acaba de falar. Não!

Não é vida em comum só quando se unem corpos numa cama ou à mesa, e todas as preocupações espirituais, morais e até materiais se guardam egoisticamente. A vida em comum é uma entrega total!


Para isso, só uma vida de oração e sacrifício pode dar forças bastantes.






















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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA - PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO IX














«…UMA SÓ ÁRVORE EM QUE DOIS RAMOS FORAM ENXERTADOS POR DEUS.»



Continuamos a dar seguimento ao Curso de preparação para o sacramento do Matrimónio, que o Padre Correia da Cunha escreveu com a maior alegria e felicidade, visando ajudar os noivos a encontrar realmente com Cristo ressuscitado, através do sacramento do matrimónio, sinal tão belo dos tesouros da Igreja, a tranquilidade e serenidade na vida matrimonial.

Ao optarem pelo sacramento do matrimónio os noivos reconhecem que Deus é a fonte de todo o amor e imploram-lhe que olhe com bondade para eles e os acompanhe na dura caminhada que desejam percorrer para a formação de uma nova família cristã.

Essa caminhada tornar-se-á mais fácil se houver a força que vêm da fé cristã e só assim o amor jurado perante o altar, não poderá nunca ser destruído.

O sacerdote unido a toda a comunidade cristã invoca a Deus para que o Espírito Santo conceda aos que se unem neste sacramento, a sua força e protecção para esta nova etapa das suas vidas.
Era sempre aludido pelo Padre Correia da Cunha que haveria sempre situações difíceis na vida conjugal, mas o sacramento do matrimónio teria de ser sinal de fidelidade ao amor de Deus que os unia até ao dia em que só a morte os poderia separar.


O amor de Deus que uniu os esposos como era lembrado pelo Padre Correia da Cunha: - “Deixam de ser dois corações que se amam, para passarem a ser um só coração!”
























Texto de Padre Correia da Cunha


Para os católicos a união do homem e da mulher em ordem à constituição da família é, como vimos, um sacramento. Mas é também um sacrifício, ou seja, uma doação, uma oferta total, generosa, cheia de amor e sobretudo sagrada.


Com efeito, no casamento não há somente um sinal da graça da união entre o marido e mulher a ponto de serem dois num só; nem simplesmente graças espirituais de compreensão e auxílio mútuos para uma vida em comum e para a criação e educação dos filhos; há mais:
- Há uma doação ou oferta feita pelos próprios nubentes de um ao outro e dos dois a Deus; há o que se chama um sacrifício.


Na verdade, a noiva dá ao noivo a sua alma e o seu corpo; dá-se. E nesta oferta dá tudo o que tem de feminino. Complementar do homem.


Dá a sua integridade física na originalidade; dá aquela faculdade de amar que só os corações femininos têm; dá o seu pudor, a sua virtude, a sua dedicação, a sua graça e alegria a sua capacidade de sacrifício no sentido geralmente conhecido.


O homem, por sua vez, dá também à noiva não só seu corpo e a sua alma, mas ainda tudo o que tem. Dá a sua liberdade, a virilidade fecundante, o seu poder de trabalho, a força do seu braço, as qualidades da sua inteligência e do seu coração.
































Na construção do lar, enquanto os dois são os alicerces que se dão e sacrificam para a felicidade dos filhos que, por venturam venham a ter e para a sua própria felicidade.



Tem-se dito e repetido vezes sem conto que o homem só se realiza, só se torna verdadeiramente homem quando se dá a qualquer ideal superior. Pois no casamento, segundo a doutrina católica, o homem e a mulher unidos pela graça sacramental dão-se um ao outro  sob a bênção de Deus, e oferecem-se no altar do Senhor para, nas suas mãos divinas, desempenharem uma missão verdadeiramente superior.


Missão de colaboradores de Deus na obra mais bela e maior que é dado realizar ao homem: - a criação de outros seres humanos e a sua formação cristã, de sorte que eles não só sejam bons cidadãos deste mundo, mas grandes santos no céu. E além desta missão tão bela, os noivos, ligados pela graça sacramental e abençoados com os dons divinos, realizam ainda a missão de se santificarem mutuamente, aperfeiçoando-se na vida espiritual. Quando os noivos têm a noção das exigências do seu casamento cristão, hão-de procurar ser o que Deus deles quer: - Um só corpo e uma só alma. Não pode um ficar indiferente ao destino eterno do outro, os dois têm de se salvar com os filhos, porque todos são uma só família, ou uma só árvore em que dois ramos foram enxertados por Deus e, por Deus, deram frutos que são os filhos.


Mas esta mística exige ainda que ambos, marido e mulher, saibam realizar dia a dia o sacrifício do seu casamento, oferecendo a Deus as penas, cuidados, preocupações e sofrimentos de uma vida em conjunto. É que eles têm de colaborar com a graça de Deus, por esta graça não força a pobre liberdade humana a fazer aquilo que deve.


Cada qual tem de se esforçar por que o dom de Deus encontre terreno bom nos seus corações. Quer dizer cada qual deve trabalhar por aceitar, compreender e sofrer os defeitos, o feitio, a maneira de ser do outro, fazendo nesses pequenos sacrifício o grande sacrifício da sua vida.



Frutos desse grande sacrifício: a Glória de Deus, a Santificação dos esposos, a formação e santificação dos filhos e o exemplo para o mundo do que é uma família cristã, imitação da Sagrada Família!













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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

PE. CORREIA DA CUNHA - PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO VIII
















«O QUE DEUS UNIU, NÃO SEPARE O 

HOMEM!»




O Sacramento do Matrimónio assumido em plena liberdade implica a missão de se construir uma vida a dois, repleta de alegrias e tristezas até à morte. Não se pode resumir apenas aos desejos e vontades de cada um.

O Padre Correia da Cunha fazia questão de referir que o casamento não era «pêra doce», todos os casais se encontrariam e debateriam com muitos sérios problemas…

Era claro, em afirmar que na vida conjugal não era só receber, mas sobretudo doar o amor ao outro. Para ele essa era a verdadeira vocação do casamento, que tão bem expressava nestas imagens: ‘’ Podemos ter as flores mais belas do mundo, mas se não as cuidarmos e regarmos convenientemente, essas flores acabarão por morrer. Assim é com o casamento, deverá ser irrigado permanentemente num partilhado diálogo ao longo de toda a vida. O diálogo é a água que todo o casamento necessita para se desenvolver na plenitude da felicidade.’’

Ao fazer-se padre, o jovem Correia da Cunha possuía a profunda consciência que iria assumir para toda a sua vida, a entrega sem reservas, para ir ao encontro da felicidade dos seus irmãos em Cristo.

A vocação matrimonial ou sacerdotal é para toda a vida. Não se pode desistir a meio do caminho, é preciso chegar ao fim. Muitas vezes a solução não passa pela separação mas pela superação.







A comunhão conjugal caracteriza-se não só pela unidade mas sobretudo pela indissolubilidade.  

É sobre essa insistência inequívoca da indissolubilidade do vínculo matrimonial, que pode parecer como uma exigência impraticável, que o Padre Correia da Cunha nos fala nesta oitava lição do seu Curso de Preparação para o Matrimónio, convidando os noivos a serem fiéis um ao outro para sempre, para além de todas as provas e dificuldades da vida, numa generosa obediência à vontade do Senhor.









Texto do Padre Correia da Cunha


Nas últimas lições abordámos algumas das principais condições da validade de um matrimónio, a saber: - a capacidade física e moral; a liberdade de escolha e de consentimento; e, ainda, a unidade matrimonial. E concluímos que o casamento para ser válido e sério tem de realizar-se livremente entre um só homem e uma só mulher física e moralmente capazes de fundar uma família.

Vamos hoje estudar um outro aspecto fundamental, exigido como condição essencial pela doutrina católica, e posto de parte por certa legislação moderna: - a indissolubilidade.

Indissolubilidade é a característica do casamento entre católicos, e significa que, em caso algum, é permitida a separação, como possibilidade de contrair novo matrimónio, a pessoas validamente casadas.

Por favor, procurem ler com atenção o que aqui vai em letra de forma!

A Igreja Católica admite a separação de pessoas e bens entre casados, mas não permite que eles possam contrair novo casamento. Quer dizer, a Igreja condena absolutamente o divórcio. E porquê?


1º - Porque defende a família. Para a Igreja a família é uma instituição sagrada, mediante a qual o casal humano é chamado a realizar a sua mais bela obra: - a formação de homens. Entre gente civilizada (e mesmo entre selvagens) o homem recém-nascido não é, como grande parte dos animais capaz de se desenvolver e formar não só sob o aspecto físico, com o também e sobretudo na sua vida moral, intelectual e espiritual. Precisa de um meio próprio ao seu desenvolvimento sob qualquer destes aspectos. Esse meio é naturalmente a Família. É ela quem de geração em geração mantém as tradições, a educação e a civilização de um povo e as características de uma raça.
Se os esposos se podem separar, a Família desmorona-se por completo.







- A educação dos filhos exige a união dos pais até à velhice, pois que esses filhos só na roda dos 20 anos atingem uma formação completa (até, por isso, se estabelecem a maioridade por volta daquela data).

Além disso, os pais representam aos olhos dos filhos a unidade e a continuidade da Família. Por consequência devem viver sempre unidos.

Acresce ainda que a união entre os esposos tem ainda como finalidade o auxílio mútuo, tal como ficou dito nas primeiras páginas deste curso que trataram este assunto.
Para que esse auxílio mútuo seja estável e eficaz é necessário não admitir o divórcio.

Em conclusão: - A Instituição – Família, exige para se poder manter que coisa alguma deste mundo, nem interesse algum seja capaz de a destruir, e o divórcio é um atentado contra uma Família constituída.

2º - Porque defende a Sociedade. É uma banalidade dizer-se que a Família é a célula da sociedade. Mas esta banalidade é uma verdade absoluta. Tocar na Família é tocar no ponto vital da sociedade. Destrui-la a ela, a Família, é destruir a sociedade. Nem se diga que um caso ou outro não casos, pois o que importa não são este ou aquele caso de divórcio, mas sim o princípio, o admitir-se que as células (os elementos vitais da sociedade) se podem destruir, porque, se é possível aniquilá-los …adeus sociedade humana!|
Dirão: mas só em casos especiais será admissível o divórcio. Quem assim fala esquece que os casos são todos especiais, pois são sempre passados entre humanos, e cada indivíduo humano é sempre um caso especial, à parte pessoal.

Não há duas pessoas iguais. A razão que este hoje invoca, pode ser invocada por aquele amanhã; e aquilo que para a peixeira pode não ser grave é-o para a duquesa. Por exemplo: um palavrão ou uma bofetada do marido.
- De resto, onde haveria garantia da formação dos homens de amanhã?

E qual o casal que quer dar filhos à Pátria se eles são um empecilho para amanhã os pais possam desligar-se e fazer outra experiencia?
É claro, com o divórcio vamos cair no amor livre e na prostituição geral!

3º - Porque defende a personalidade humana. A pessoa humana é um ser à parte na Criação inteira. Sabe o que é a honra e dever. Tem consciência de si própria, da sua finalidade, e da sua missão.

A Igreja não admitindo o divórcio salva a honra daqueles que prometeram diante de Deus e da Sociedade fidelidade até à morte. Mais ainda, obriga os esposos a serem honrados, guardando, apesar de tudo, a fidelidade jurada. É que o juramento, a promessa é para o homem honrado e civilizado um direito sagrado cujo cumprimento só o honra.




Se um marinheiro quebra o juramento de fidelidade à sua pátria é um traidor; se um comerciante que falta à sua palavra é um pulha, os esposos que se divorciam o que são?


- Não são pessoas de bem, não são honrados, nem sérios. Por isso a Igreja condenando o divórcio salva a honra dos homens, embora muitos deles se esqueçam dos seus deveres honrosos e até queiram fugir cobardemente do seu cumprimento.

- Salva especialmente a mulher que, por via de regra, é a principal vítima do divórcio. Salva a formação dos filhos. Salva o bom nome, a reputação do marido e de todos.

4º - Porque defende e proclama a doutrina de Jesus Cristo.
A palavra de Jesus é clara. Ninguém a pode deturpar: «Todo aquele que expulsar sua mulher e se juntar com outra é adúltero, e toda a mulher que se separar de seu marido e se liga a outro é adúltera!» (Marcos X, 11-12 e Lucas XVI-18).
São Paulo di-lo também claramente nos seguintes termos: «Pela Lei do matrimónio a mulher fica ligada ao seu marido enquanto viver… se, se juntar com outro, deve chamar-se adúltera! (Rom. VII, 2-3). «Aquele que estão casados ordena o Senhor que se não separem.Se, porém, algum deles viver separado, não se case com outro, antes de se reconciliem.» (Cor VII, 10-11).


O ensino da Igreja tem sido fiel a esta doutrina e a tal ponto, que prefere perder um grande povo, como a Inglaterra, a transigir neste ponto. Lembremos Henrique VIII!
















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